ANTONIO CARLOS JOBIM - uma biografia
[ Notas sobre o livro ] [ Comentando a biografia de Tom ]


 

Comentando a biografia de Tom

 

O Sérgio Cabral, como diria Tom Jobim, é um craque!

O seu livro “Antônio Carlos Jobim, uma biografia” traça um perfil completo do nosso maestro. Bem diferente do livro da Helena Jobim, “Um homem iluminado” que, carregado de emoção, faz um retrato do Tom mais conivente. Uma visão bem fraternal, baseada no convívio de Helena Jobim com o irmão.

Já o livro do Sérgio Cabral vai fundo na pesquisa, esmiuça artigos em jornais, revistas, gravações, depoimentos e entrevistas, aqui e no exterior, sobre a vida e a obra de Tom Jobim.

Eu li há alguns anos atrás o livro do Sérgio Cabral sobre a a biografia do Ari Barroso e gostei muito. Mas acho que este do Tom, além de ter a mesma seriedade no trabalho de pesquisa, tem um texto mais gostoso, mais solto. Provavelmente porque o próprio Sérgio era amigo do Tom.É leitura obrigatória para quem é fã de Tom Jobim, portanto é leitura recomendada a todos os participantes do Clube do Tom.

Nele vocês vão descobrir, por exemplo, que o Tom conseguiu convencer Sinatra a gravar com o Claus Ogerman e não com o Nelson Riddle, maestro favorito do cantor, que Tom admirava muito ( gravaram até um disco juntos) mas que achava que não tinha o “mood” para as músicas dele; e que Ogerman tinha uma perfeita sintonia com o compositor. Sinatra fez algumas brincadeiras com Claus Ogerman que queria que ele cantasse suavemente -"Não canto assim desde que tive laringite", disse Sinatra.

Outra passagem interessante foi o clima tenso que foi a gravação do disco Tom & Elis. Duas personalidades muito marcantes, claro, se chocaram. Elis chegou a reclamar com Roberto Menescal, diretor artístico da Polygran que queria desistir do projeto, que o Tom estava velho.Tom, por sua vez, não queria de jeito nenhum o piano elétrico do Cesar Mariano.

 
 

No livro também fica esclarecida uma velha história, já abordada aqui no Clube do Tom, de um disco de Tom Jobim com o pseudônimo de Tony Brasil.
Sérgio Cabral conta que o Tom: “ ... foi procurado pelo baixista Tião Neto para participar da gravação de um disco de Jack Wilson pela gravadora Vault Records. Tião adiantou que , além de Tom e ele, estariam no estúdio Rosinha de Valença no violão e Chico Batera na bateria, o que garantia o molho brasileiro na gravação. Mas o Tom não pôde aceitar porque, pelo contrato assinado com a Warner, seu nome não poderia sair em discos de qualquer outra gravadora. Como Jack Wilson fazia questão da sua presença no long-play, a solução foi mudar o seu nome. Por sugestão de Tião Neto, Jobim foi identificado naquele disco como Tony Brasil.”

Acho que assim esclarece a dúvida de alguns fãs do Clube do Tom que tem-nos escrito e-mails sobre este disco.

Outra surpresa que o livro diz é que a introdução da letra, em português, de “Desafinado” é de Ronaldo Boscoli e que o Tom nunca deu o crédito a ele, o que deixou Boscoli muito chateado.

Claro, o livro tem alguns furos, como por exemplo quando fala do disco de Tom & Edu, Sérgio diz que foram gravadas “Retrato em Branco e Preto”, “Luciana”, “Frevo”, e “Pois é” e estas não constam dos álbuns, nem do long-play nem do CD. O livro apresenta também muitos erros de revisão, o que é bom a Lumiar verificar para a próxima edição, inclusive na discografia, onde aparecem muitos erros não só de grafias, mas também de autorias.

Mas, de qualquer forma, é um livro imperdível e deve estar na cabeceira do todos os fãs do Maestro Antonio Carlos Jobim.

 
 

São Paulo, 15 de fevereiro de 1998.
Sérgio Lima


[ Notas sobre o livro ] [ Comentando a biografia de Tom ]


Home Page | Colaborações | Músicas & Letras | Discografia | Partituras | Publicações | Onde comprar | Cronologia | Album de Retratos | Links | Créditos | Fale conosco

Topo da página