Sergio Mendes & Bossa Rio
Você ainda não ouviu nada!
Produtor: Armando Pitigliani
Técnico de gravação: Celio Martins
Engenheiro de som:Sylvio Rabello
Layout: Licínio Almeida
Fotos: Paulo Namorado
Long Play Philips P-632.701-L
Gravado no verão de 1964


 

Você ainda não ouviu nada!

Luiz Roberto Oliveira
junho 2001

Em destaque na capa do disco, o sub-título "Você ainda não ouviu nada!" é definitivamente merecido. O Bossa Rio, conjunto de cobras liderado por Sergio Mendes, fazia sucesso no Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro. O Bottle's, pequeno bar no Beco, abrigava a fina flor dos músicos, e atraía uma variada gama de frequentadores unidos pela vontade de ouvir boa música e ver o que se fazia de mais moderno. Entre as presenças constantes, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Jorge Ben, Chico Buarque, Aloysio de Oliveira, e nosso maestro Antonio Carlos Jobim.

Ninguém queria perder os shows do Bossa Rio, os músicos fantásticos, os arranjos modernos, música brasileira com forte influência de jazz, tudo resultando num som enérgico e original, empurrado pela locomotiva de Edison Machado na bateria. O sexteto Bossa Rio não era brincadeira. Tião Neto no baixo, que depois tocou na Banda Nova de Tom Jobim durante anos. Raulzinho, atualmente morando em Paris, mandava brasa no trombone de válvulas (um tipo de trombone menos usado, com pistos em vez de vara, e tremenda rapidez de fraseado). O venerável Edson Maciel no trombone de vara, figura das mais importantes no sexteto. Argentino de nascimento e brasileiro de coração, o Hector Bisignani (Costita para os íntimos e para todos) segurava a peteca no sax tenor. Hector morava em S. Paulo, e mudou-se para o Rio para fazer parte do grupo. Tempos depois, voltou para S. Paulo, onde mora até hoje.

Sergio Mendes estava na sua melhor fase, pianista de fraseado oportuno e econômico, harmonias cheias de novidade, e uma concepção de conjunto que o qualificava como líder natural daquele grupo de feras, mais velhos e mais experientes do que ele. Veja a cara de garoto dele na capa do disco (em cima à esquerda).

E foi naquele tempo de bossa nova que Tom Jobim e Sergio Mendes se conheceram. Mas de bossa nova o disco não tem nada: tem é um jeito de tocar samba que ainda hoje surpreende pela energia e pela originalidade. Os dois trabalharam juntos no preparo do disco, que teve cinco músicas de Tom. No telefone, e depois de um bom tempo sem nos vermos, Hector Costita me contou hoje que Tom Jobim ia ao estúdio em todas as seções de gravação. Todos os integrantes do grupo davam idéias. Embora não tenha tocado nenhum instrumento no disco, Tom colaborou muito na concepção dos arranjos, e dois deles são inteiramente seus: Desafinado e Garota de Ipanema.

De quebra, duas daquelas coisas enigmático-afro-brasileiras que só Moacir Santos sabe fazer: Coisa nº 2 e Nãnã.

Realmente, se você ainda não ouviu este disco, você ainda não ouviu nada. Existe uma coletânea em CD que tem todas músicas do disco, e outras mais. É "Sergio Mendes: Swinger from Rio/Best of Brazil", da etiqueta Collectables Records. Procure nas lojas da Internet.

 

Leia os textos da contracapa, por Arino DeMattos filho e Antonio Carlos Jobim

 


Título Autor
Ela é Carioca Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
O amor em paz Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
Coisa nº 2 Moacir Santos
Desafinado Antonio Carlos Jobim / Newton Mendonça
Primitivo Sergio Mendes
Nãnã Moacir Santos
Corcovado Antonio Carlos Jobim
Nôa Nôa Sergio Mendes
Garota de Ipanema Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
Neurótico Pascoal Meirelles

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