Folha de S. Paulo, Ilustrada, 24.abril.1998
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Sylvia Colombo Editora-assistente da Ilustrada
Mais uma homenagem a Tom Jobim, mais uma celebração à bossa nova, mais uma ratificação de que ela vem se transformando num movimento datado com as comemorações de seus 40 anos e, mais uma vez, a apropriação do ícone da época em questão, o músico baiano João Gilberto. De novo mesmo, só o cenário, que agora é o teatro Alfa Real, inaugurado nesta semana em São Paulo e que tem na série de shows do Quarteto Jobim-Morelembaum e convidados sua segunda atração, de hoje até domingo. Gal Costa, 52, é a atração da primeira noite. Agraciada pelo sucesso das 500 mil cópias vendidas de seu Acústico, ela troca, hoje à noite, seus comparsas juvenis (Zeca Baleiro, Herbert Viana) pelos membros do clã Morelembaum e Jobim. Amanhã é a vez de Nana Caymmi, 56, enquanto no domingo a atração é João Gilberto, 66. Segundo Paulo Jobim, violonista do Quarteto Jobim-Morelembaum, o conjunto tem procurado ampliar seu repertório. Temos posto alguns Caymmis, uns Villa-Lobos e coisas da gente mesmo, disse, em entrevista à Folha. A ousadia, porém, não vai além dos limites do estilo. A bossa nova, para eles, está viva como nunca. Muita coisa mudou nesses 40 anos, mas a bossa nova é assunto de mídia novamente, e eu acho que os jovens estão interessados. O que se afigura é um show bem comportado, de repertório conhecido, e com o diferencial da possibilidade de improvisação, decisão esta que ficará a critério dos bons músicos do quarteto, que só não sabem até agora, responder a uma questão: O que é que a gente vai fazer com o João Gilberto?, já que o músico baiano ainda não se pronunciou sobre o que quer cantar nessa noite. |
