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Ilustração da capa do livro


Tragédia carioca

VINICIUS DE MORAES

Adhemar Ferreira da Silva

Entrevista exclusiva para o Clube do Tom, em 10/julho/2000.

A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 25 de setembro de 1956. Um dos convidados para participar do elenco foi o então campeão olímpico do salto triplo Adhemar Ferreira da Silva, que obtivera sua primeira medalha de ouro na Olimpíada de Helsinki, Finlândia, em 1952.

Em sua casa no bairro paulista da Casa Verde, pela manhã, antes da atividade diária de diretor esportivo que exerce na Faculdade Uni-Santana, Adhemar nos contou que havia sido convidado para a peça provavelmente pelo diretor Leo Jusi. O atleta não tinha experiência em teatro, mas resolveu aceitar o convite. Menos pelo desafio, e muito mais pela perspectiva de, com sua atuação, ganhar algum dinheiro que com certeza lhe seria muito útil: estava com viagem marcada para Melbourne, Austrália, onde iria participar da Olimpíada de 1956, novamente concorrendo no salto triplo.

 
 

Seu papel na peça foi quase de figurante, com pouca ou nenhuma fala. Teve pouco contato com Tom Jobim, que tocava piano na orquestra.
Participou também da temporada de 30 dias no Teatro República, logo após a semana de estréia no Municipal.

Ao fim da temporada teatral, seu sonho de ganhar um dinheirinho extra para a viagem foi por água abaixo. Não recebeu um tostão.

Apesar do revés financeiro, Adhemar embarcou pouco depois para Melbourne, onde repetiu e excedeu seu feito de 1952. Batendo novo recorde olímpico, saltou 16,35m, e conquistou sua segunda medalha de ouro.

Com maior dose de entusiasmo, relata que, um pouco mais tarde, foi convidado para atuar no filme Black Orpheus (Orfeu do Carnaval), produzido por Sacha Gordine. Baseado no texto de Vinicius, o filme fez grande sucesso e ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Entretanto, as músicas que Tom e Vinicius criaram para a peça não foram usadas no filme. Para a trilha sonora, a dupla fez "A Felicidade", "O nosso amor", e "Frevo".

Desta feita, a participação de Adhemar foi maior, com vários diálogos. Sua personagem era a Morte, chamada no texto de Vinicius de "Dama Negra".

Mostrando-se novamente decepcionado, o atleta conta que também nada lhe pagaram por sua atuação no filme.

 


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